Executive Summary:

Malaria is the leading cause of death, hospitalization and school and work absenteeism in Angola. In 2018, the death toll in Angola represented 4% of total deaths attributable to malaria worldwide. Poor case management for uncomplicated and severe malaria may be significantly contributing to these results.

This study aimed to identify existing gaps in knowledge about severe malaria case management in Angola by collecting information at different health service levels and through different study populations. A mixed method cross sectional study was implemented in six districts, distributed evenly across three provinces, namely Cuando Cubango, Luanda and Uíge. Different tools were used to collect data about health facility conditions, health worker knowledge and training on severe malaria, and current practices for diagnosing
and treating severe malaria patients. Data from patients and caregivers was also collected alongside qualitative information from focus group discussions held in communities.

Results showed critical gaps in the ability of the Angolan health system to effectively manage severe malaria cases. First and foremost, health worker training on severe malaria case management has been scarce, and where evident has been mainly supported by partners. The impact of this was reflected in the non-uniform use of artesunate as a first line malaria drug. There was a lack of knowledge regarding the preparation of injectable artesunate, and a clear preference for the administration of artemether as first line severe malaria treatment. Gaps related to guidance as to by whom, where and when rectal artesunate can and should be administered were also identified. The lack of training was also evident in the documented failure by some health workers to adhere to treatment guidelines.

This study also identified drug stock outs, inaccurate and/or missing malaria reporting data, and delays in health-seeking behaviour by patients as factors negatively affecting severe malaria case management in Angola. Drug stock outs were frequent both for uncomplicated and severe malaria drugs, mostly attributable to ineffective quantification mechanisms and poor supply systems. Malaria data was found to be prone to mistakes that may result in both under and over reporting of malaria, including severe malaria cases and malaria deaths. Data from private facilities is not integrated into national reporting systems, which is also contributing to inaccurate malaria burden reporting. Delays in health care seeking for logistical, financial, social and cultural reasons were identified through focus group discussions and interviews with key informants.

Ten key recommendations emerged from this assessment. In brief, it is recommended that the Angolan National Malaria Control Program, in conjunction with the Ministry of Health:

  1. Clarify, formalise and share to all health facilities (HF), drug use recommendations by different level health workers and different level health facilities
  2. Provide malaria case management training, including a module on severe malaria case management, to all HW every 2 to 3 years
  3. Conduct regular on-the-job supervision of HW malaria case management in all HF, to ensure the correct application of training
  4. Distribute malaria guidelines and job-aids to every HF
  5. Review HF triage systems and produce triage guidelines including specific advice and protocols for malaria testing and treatment
  6. Develop a private provider engagement strategy to ensure adherence to guidelines and reporting of cases
  7. Review the drug quantification system
  8. Develop formal protocols for local drug procurement
  9. Review and improve malaria data systems
  10. Strengthen community level health services and transport mechanisms to facilitate referrals

To read the full report, please click here.

The MENTOR Initiative would like to thank Ministry of Health Angola, Severe Malaria Observatory, and Medicines for Malaria Venture for their hardwork and support in making this project possible.

See below for a collection of pictures taken from the field, representative of the reporting process and context.

Sumário Executivo:

A malária é a principal causa de morte, de hospitalizações e de absentismos escolar e laboral em Angola. Em 2018, a taxa de mortalidade foi de 4% em relação ao número total de mortes atribuídas à malária mundialmente. Uma má gestão de casos de malária simples e de malária grave pode estar a contribuir negativamente para estes resultados.

Este estudo pretendeu colmatar as lacunas de conhecimento existente sobre a gestão de casos de malária grave em Angola através da recolha de informação a diferentes níveis de prestação de cuidados de saúde e diferentes populações. Foi implementado um estudo transversal de métodos mistos em seis municípios, distribuídos pelas províncias de Cuando Cubango, Luanda e Uíge. Foram utilizadas diversas ferramentas de recolha de dados sobre as condições das unidades sanitárias, dos conhecimentos e formação sobre malária grave dos profissionais de saúde e sobre as práticas de diagnóstico e tratamento aos doentes de malária grave. Foram também recolhidos dados de doentes e cuidadores em conjunto com outras informações qualitativas a partir das discussões em grupos focais realizados nas diferentes comunidades.

Os resultados expuseram lacunas críticas na capacidade do sistema de saúde Angolano para realizar uma gestão eficaz dos casos de malária grave. Primeiramente, a formação dos profissionais de saúde sobre a gestão dos casos de malária grave tem sido escassa, e onde acontece é maioritariamente apoiada pelos parceiros. O impacto desta realidade traduziu-se no uso desigual do Artesunato como tratamento de primeira linha. Existe uma falta de conhecimentos no que respeita à preparação do Artesunato injetável e uma clara preferência em administrar Arteméter como primeira opção de tratamento da malária. Identificaram-se omissões nas orientações sobre quem, onde e quando pode e deve ser administrado o Artesunato Retal. A falta de formação ficou patente também na falha manifesta de alguns profissionais de saúde a aderirem às orientações de tratamento.

Este estudo identificou também ruturas de stock, a falta de rigor e/ou as omissões nos dados da malária reportados e a procura tardia dos cuidados de saúde por parte dos doentes são fatores que afetam negativamente a gestão dos casos de malária grave em Angola. As ruturas de stock são frequentes tanto para os medicamentos para a malária simples como para os da malária grave, e em muito se devem à ineficácia dos mecanismos de quantificação e sistemas de abastecimento. Os dados sobre a malária tendem a estar errados devido a algumas mortes tanto de malária simples como de malária grave serem mal contabilizadas e reportadas. Os dados do setor privado não são integrados nos sistemas nacionais de reporte, o que contribui para a divulgação imprecisa da carga de doença. A procura tardia dos cuidados de saúde devido a razões logísticas, financeiras, sociais e culturais foi identificada através de grupos focais e de entrevistas com informadores-chave.

Emergiram deste estudo, as seguintes 10 recomendações. Sucintamente, é recomendado que o Programa Nacional de Controlo de Malária Angolano, em conjunto com o Ministério da Saúde:

  1. Clarifique, formalize e divulgue junto de todos os profissionais de saúde as recomendações de uso dos medicamentos aos diferentes níveis de profissionais de saúde e de unidades sanitárias;
  2. Providencie formação em gestão de casos de malária, incluindo um módulo sobre gestão de casos de malária grave, a todos os profissionais de saúde a cada 2 ou 3 anos;
  3. Conduza supervisões regulares aos profissionais de saúde que gerem casos de malária em todas as unidades sanitárias, de modo a garantir que a formação é corretamente posta em prática;
  4. Distribua as orientações e normas de conduta para o diagnóstico e tratamento da malária e auxiliares de trabalho em todas as unidades sanitárias;
  5. Reveja os sistemas de triagem das unidades sanitárias e crie diretrizes para a triagem que incluam conselhos e protocolos específicos para o diagnóstico e tratamento da malária;
  6. Desenvolva uma estratégia de envolvimento do setor privado de modo a assegurar a adesão do mesmo às orientações gerais para a malária e ao reporte dos casos;
  7. Reveja o sistema de quantificação de medicamentos;
  8. Desenvolva protocolos formais para a aquisição local de medicamentos;
  9. Reveja e melhore os sistemas de reporte de dados da malária;
  10. Revigore os serviços de saúde ao nível comunitário e mecanismo de transporte de forma a facilitar os encaminhamentos.

Para ler o relatório completo, por favor, carregue aqui.

A The MENTOR Initiative gostaria de agradecer ao Ministério da Saúde do Governo de Angola, Severe Malaria Observatory e Medicines for Malaria Venture todo o envolvimento e apoio na realização deste estudo.

De seguida, pode encontrar um conjunto de imagens recolhidas durante os trabalhos no terreno representando o contexto do estudo.